"Quem não tem papel dá o recado pelo muro. E quem não tem presente se conforma com o futuro."
Raul Seixas



quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Sou Negro

Sou negro
meus avós foram queimados
pelo sol da África
minh`alma recebeu o batismo dos tambores
atabaques, gongôs e agogôs
Contaram-me que meus avós vieram de Loanda
como mercadoria de baixo preço
plantaram cana pro senhor de engenho novo
e fundaram o primeiro Maracatu.

Depois meu avô brigou como um danado
nas terras de Zumbi.
Era valente como quê
Na capoeira ou na faca
escreveu não leu o pau comeu
Não foi um pai João
humilde e manso
Mesmo vovó não foi de brincadeira
Na guerra dos Malês ela se destacou.

Na minh`alma ficou
o samba
o batuque
o bamboleio
e o desejo de libertação.


SOLANO TRINDADE

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Falsa Consciência



I nsinuando ao pensamento,
D isfarça por convencimento.
E stabelecendo domínio
O scilando percepções,
L apidando a máscara
O cultando...
G erando, camuflando,
I nvertendo a realidade...
A falsa consciência.
(Francielly Caroba - 06.11.2009)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Ideologia

“Você sabe o que é ideologia?
Ideologia é um conjunto de idéias que temos na cabeça. Idéias políticas, morais, estéticas, religiosas etc. Todo mundo tem ideologia. Mas nem todos sabem que têm ideologia. A ideologia é como os óculos que ficam na frente dos nossos olhos. Quem usa óculos enxerga melhor as coisas quando os tem diante dos olhos. Mas, ao ver as coisas, não vê os próprios óculos. Assim é a ideologia: em geral, não temos consciência da ideologia plantada na nossa cabeça.
Quem planta essa ideologia na nossa cabeça? A educação familiar, a escola, a televisão, os jornais, a moda, o cinema, a Igreja etc. Como essas instituições, numa sociedade desigual, são em geral controladas pela classe mais poderosa, a ideologia predominante nessa sociedade desigual é em geral controlada pela classe que detém o poder. Por isso há moradores da favela conformados, acreditando que sempre haverá ricos e pobres.
A ideologia produz em nós uma escala de valores e um modo de agir. Numa sociedade desigual, em geral a ideologia encobre a realidade: acreditamos que a miséria do Nordeste é fruto da fatalidade ecológica da seca ou que a inflação é um balão de oxigênio com vida própria que nem os mais competentes economistas conseguem dominar. Há, porém, uma ideologia que ajuda a descobrir a realidade, fazendo-nos vê-la assim como um mecânico vê um carro: por dentro, conhecendo toda a engrenagem e os mecanismos de funcionamento. Essa ideologia – ideologia dos oprimidos – é temida pelos opressores” (FREI BETTO, 1990).

domingo, 11 de outubro de 2009

Desgraça alheia não dói?


Eu vi um mendigo
Deitado no chão, rasgando o lixo.
Comendo o resto, o nosso resto.
Lambendo uma lata de sardinha
Mastigando um pedaço de banana...
Comendo o resto, o nosso resto.

Quem é ele? Qual seu nome?
Um desgraçado sem família, sem modos.
Quem ele pensa que é?
Enfeiando a cidade, sujando nossa cidade.
É um miserável, um pobre miserável.

Eu vi um mendigo.
Comendo o resto, o nosso resto.

Já ouvi antes, que ele é do mal...
Não se aproxime, não chegue perto
Pois ele é do mal, é o nosso mal.
Não o olhe nos olhos, porque se olhar...
Verá seu próprio rosto ali na miséria
Na sua miséria... Tudo o que é seu
E que jogou nele, nas costas dele.
Não olhe pra ele
Não queira ver que ele é o resultado
Do seu sucesso, da sua glória
De tudo que acha certo.

Não olhe pra ele.
Sinta medo dele.
Pois tem gente torcendo por isso...
Pra que odeie ele, que sinta nojo
Continuem assim, até se tornar igual a ele.
Porque só quando dormir na rua
Saberá que o coitado, àquele desgraçado.
Só existe porque você não ligava pra ele
Não votava por ele.
Não se iluda, você é culpado!!!

Eu vi um mendigo...
Eu vi um mendigo...
BRUNO RAPHAEL
São Paulo, 2003.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Quem é mulher? Quem é bunda?

Até parece que mudou
Mas ainda é assim
Dizem que pra elas é igual
Mas não é, pois eu posso ver
Vejo dementes as tratando mal
Com conceitos passados que os fazem ser assim...
São homens que pensam ser donos
Patrões dando ordens...
As mandam limpar a casa
E os servir...
Nunca perca sua beleza!
Por que se não eu te chuto
É a vida machista e animal
Mas que ainda é atual

Até quando será assim?
Até quando dura a mulher-bunda?
Isso é que ser submissa
Aceitar isso, rebolando pra eles
Mas não se confunda
Porque isso não é mulher
Isso é só pro sexo e
Nada mais...
São como putas gratuitas
Que sujam a imagem
De mulheres dignas de verdade
Que pensam, estudam e trabalham
Mais que também pagam
Pagam com o machismo
Que as bundas alimentam!!!


BRUNO RAPHAEL

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Até nunca mais



Viver no subúrbio,
Transformá-lo.
Eis a tarefa a que me disponho.
Quem não o conhece e o julga
Segue jogando a culpa,
Mantendo a mensagem de antemão,
Os dizeres de um velho patrão.
Viver no subúrbio,
Transformá-lo.
De realidades mil, obscuras...
Pessoas que passam e que ficam,
Sentidos voltados para alterar.
Alterar a realidade de um relento,
Que mantêm os olhares sempre atentos.
Viver no subúrbio,
Transformá-lo.
Do desprezo aos jovens...
Criando seus próprios inimigos
Estes sim meus amigos,
E irá derrubá-lo.
Sem mais malabarismo
Capitalismo.
BRUNO RAPHAEL

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Mais Valia

Uma breve explicação sobre o que é Mais-valia, o processo de exploração na relação de trabalho, e algumas diferenças que imperam na relação trabalhador x capitalista(patrão).

A mais valia
O conceito de mais-valia é um conceito-chave. Através dele podemos explicar, de forma científica e rigorosa, a exploração capitalista e, assim, vislumbrar o que é necessário para suprimi-la.
Como já vimos anteriormente, o operário só possui sua força de trabalho. Ele a oferece como mercadoria ao burguês (dono dos meios de produção), que a compra por uma determinada quantia em dinheiro (salário) para fazê-lo trabalhar durante um certo período de tempo; 8 horas por dia, por exemplo. A partir do momento em que a compra, a força de trabalho do operário passa a pertencer ao burguês, que dispõe dela como quiser.
O custo de manutenção da força de trabalho (operário, maquinas) constitui seu valor; a mais-valia é a diferença entre o valor produzido pela força de trabalho e o custo de sua manutenção.
Para ficar mais fácil de entender, vamos estudar um exemplo. Suponhamos que um operário seja contratado para trabalhar 8 horas por dia numa fábrica de motocicletas. O patrão lhe paga 16 reais por dia, ou seja, 2 reais por hora, o operário produz duas motos por mês. O patrão vende cada moto por 3883 reais. Deste dinheiro, ele desconta o que gasta com matéria-prima, desgaste de máquinas, energia elétrica, etc.; exagerando bastante, vamos supor que esses gastos somem 2912 reais. Logo, sobram de lucro para o patrão 971 reais por moto vendida (3881 menos 2912 é igual a 971). Se o operário produz duas motos por mês, ele produz, na verdade 1942 reais por mês (2x971). Se, num mês, ele trabalhar 240 horas, produzirá 8,1 reais por hora (1942 dividido por 240 horas). Portanto, em 8 horas de trabalho ele produz 64,8 reais (8,1x8) e ganha 16 reais. A mais-valia é exatamente o valor que o operário cria além do valor de sua força de trabalho. Se sua força de trabalho vale 16 reais e ele cria 64,8, a mais-valia que ele dá ao patrão é de 48,8 reais. Ou seja, o operário trabalha a maior parte do tempo de graça para o patrão! Para saber quanto, basta fazer uma regra de três simples:
64,8 --- 8 h.16--- X 16 vezes 8 dividio por 64,8 é igual a 2h e 6m
Conclusão: das oito horas que o operário trabalha, ele só recebe 2 horas e seis minutos. O resto do tempo ele trabalha de graça para o capitalista. Esse valor que o patrão embolsa é o trabalho não pago.
Ao patrão o que interessa é o aumento constante da mais-valia porque assim seus lucros também aumentam. Para fazer isso, o capitalista usa algumas formas básicas: aumentando ao máximo a jornada de trabalho (“mais-valia absoluta”), de modo que depois do operário ter produzido o valor equivalente ao de sua força de trabalho, possa continuar trabalhando muito tempo mais; esta forma de obter maior quantidade de mais-valia é muito conveniente ao capitalista porque ele não aumenta seus gastos nem em máquinas nem em locais e consegue um rendimento muito maior da força de trabalho. Era o método mais utilizado no começo do capitalismo. Mas não se pode prolongar indefinidamente a jornada de trabalho. Existem limites para isso:
Limites físicos – porque se o operário trabalha durante muito tempo, não pode descansar o suficiente que dê para refazer sua força de trabalho na forma devida irá produzindo um esgotamento intensivo, logo, uma baixa no rendimento, o que não interessa ao patrão.
Limites históricos – porque à medida que o capitalismo foi se desenvolvendo, a classe operária também se desenvolveu, se organizou e começou a lutar contra a exploração capitalista. Através de árduas lutas a classe operária foi conseguindo reduzir a jornada de trabalho, obrigando o capitalista a buscar outras medidas para aumentar a mais-valia. Então, para isso, o patrão teve de lançar mão de outras formas para fazer com que o operário produzisse mais, reduzindo o tempo de trabalho necessário (“mais-valia relativa”), sem reduzir a jornada de trabalho: introduzindo máquinas mais modernas, incentivando a produtividade, etc.
O fim da exploração capitalista exige o fim da propriedade e do controle privado dos meios de produção e a abolição do direito de herdá-los. Ao eliminar a propriedade privada dos meios de produção, eliminamos o antagonismo de classes e abrimos caminho para o fim de toda exploração. Socializando assim entre os que produzem as riquezas que são produzidas.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Até quando esperar?

Não é nossa culpa
Nascemos já com uma bênção
Mas isso não é desculpa
Pela má distribuição
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração
Até quando esperar
E cadê a esmola que nós damos sem perceber
Que aquele abençoado poderia ter sido você
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração
Até quando esperar a plebe ajoelhar
Esperando a ajuda de Deus
Até quando esperar a plebe ajoelhar
Esperando a ajuda de Deus
PossoVigiar teu carro
Te pedir trocados
Engraxar seus sapatos
PossoVigiar teu carro
Te pedir trocados
Engraxar seus sapatos
Sei não é nossa culpa
Nascemos já com uma bênção
Mas isso não é desculpa
Pela má distribuição
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração
Até quando esperar
A plebe ajoelhar
Até quando esperar
A plebe ajoelhar
Esperando a ajuda do divino Deus

Plebe Rude